Todo guia sobre o Brasil foge dessa pergunta, seja insistindo que está tudo bem, seja dando a entender que nenhum lugar é seguro. Nenhuma das duas coisas ajuda quando você está decidindo se vai reservar. Então, sem rodeios: Itacaré é uma cidadezinha litorânea mais ou menos tão segura quanto qualquer cidadezinha litorânea do mundo, e mais segura do que as cidades brasileiras que a maioria das pessoas imagina quando se preocupa com o Brasil. Não é o Rio e não é Salvador. É um lugar com alguns milhares de habitantes, onde a economia depende de os visitantes voltarem.
Isso não quer dizer que nada acontece. Abaixo está o que de fato dá errado aqui, na ordem em que dá errado, que não é a ordem que as pessoas esperam.
O mar é o risco real
O que tem mais chance de machucar você em Itacaré é a água, não uma pessoa. São praias de mar aberto do Atlântico com correntes de verdade, e fora da baía abrigada da Praia da Concha o mar tem movimento de verdade. Não há salva-vidas nas praias ao sul da cidade. Uma praia que parece calma vista da areia não diz quase nada sobre o que está acontecendo a trinta metros dali.
- Nade onde outras pessoas estão nadando, e não onde não há ninguém.
- Se a corrente puxar você para fora, vá na direção paralela à praia em vez de tentar voltar reto. Lutar contra a corrente é como as pessoas se esgotam.
- Tenha mais cuidado numa praia vazia na baixa temporada, não menos. Não há ninguém para perceber.
- Pergunte aos moradores sobre uma praia antes de nadar nela pela primeira vez. As pessoas vão responder com sinceridade.
Furtos, e o tipo que você pode encontrar
O crime a que um visitante está realisticamente exposto aqui é o oportunista: uma bolsa deixada na areia enquanto você nada, um celular numa mesa virada para a rua, uma janela deixada aberta. Assalto violento não faz parte da vida normal desta cidade, e a maioria das pessoas que vai e volta durante anos nunca presencia nada disso.
O hábito mais eficaz é simplesmente não deixar as coisas sem ninguém olhando na praia. Revezem para nadar, ou não leve nada que você se importaria de perder. Essa única regra elimina a maior parte do risco que existe.
Andar por aí à noite
O centro e a Rua Pedro Longo ficam movimentados e iluminados até tarde da noite, e andar por lá não tem nada de especial. Mais afastado, as ruas ficam escuras e as calçadas irregulares, e o conselho sensato é o mesmo de qualquer cidade pequena: fique nos caminhos com gente e pegue um táxi em vez de andar sozinho por um trecho longo e escuro tarde da noite. Entre as regiões, a volta para casa muitas vezes é a parte que vale pensar na hora de escolher onde dormir.
Dinheiro, cartões e dinheiro vivo
O cartão é bem aceito na cidade e de forma irregular fora dela, e as maquininhas falham com frequência suficiente para que chegar sem nenhum dinheiro vivo seja um erro. Saque dentro de um banco ou de um supermercado, e não num caixa na rua depois que escurece, separe o dinheiro do dia do resto e não ande com o passaporte. Há mais sobre o lado prático da chegada em como chegar a Itacaré.
A estrada, e como se locomover
A BA-001 é uma boa estrada e o trajeto a partir de Ilhéus é tranquilo. O que pega as pessoas desprevenidas é o mesmo que pega em todo o Brasil: dirigir à noite, quando trechos sem iluminação, animais e buracos deixam de ser teoria. Se você vai dirigir pelo litoral, dirija de dia.
Mototáxis estão por toda parte e são o jeito como boa parte da cidade se locomove. São rápidos e baratos, e também são o jeito como a maioria dos visitantes daqui acaba numa clínica. Se pegar um, use o capacete.
Sol, mosquitos e as pequenas coisas
Você está a catorze graus ao sul do equador, e o sol não liga se está nublado. O que mais estraga uma viagem aqui, de fato, é um primeiro dia sem proteção numa praia aberta. Os mosquitos variam com a estação e são piores perto de água parada no fim da tarde. A água da torneira geralmente não é o que as pessoas bebem; água filtrada é o normal e é fácil de encontrar.
Viajar sozinho, e viajar sendo mulher
Muita gente viaja sozinha para cá, e é uma cidade fácil para isso: pequena, dá para fazer tudo a pé, e cheia de outros viajantes. O conselho não muda em relação a qualquer outro lugar. Seja menos previsível nas suas rotinas, avise alguém quando for passar um dia longo nas trilhas e trate a volta para casa como a parte que precisa de um plano.
O que esta página não é
Isto é um conselho geral sobre um lugar, não uma avaliação de segurança em tempo real, e nenhuma página consegue dizer como está uma determinada rua numa determinada noite. O que ela pode fazer é evitar que você se preocupe com a coisa errada. A maioria das pessoas chega preparada para o crime e é pega de surpresa pelo sol, pelo mar ou por uma moto. Leia quando ir para ver como a estação muda o quanto as coisas ficam cheias ou vazias, porque uma praia vazia e uma lotada pedem coisas diferentes de você.
Perguntas frequentes
- Itacaré é seguro para turistas?
- Sim, com o cuidado normal que qualquer cidadezinha turística pede de você. É uma cidade de alguns milhares de habitantes cuja economia depende de os visitantes voltarem, e é uma realidade muito diferente das grandes cidades brasileiras que as pessoas imaginam quando se preocupam com o Brasil. O risco com mais chance de afetar você é o mar, e não o crime.
- Itacaré é seguro à noite?
- O centro e a Rua Pedro Longo ficam movimentados e iluminados até tarde da noite, e andar por lá não tem nada de especial. Mais afastado, as ruas são escuras e o mais sensato é pegar um táxi em vez de fazer uma longa caminhada sozinho no escuro, o mesmo conselho que você seguiria em qualquer cidade pequena.
- É seguro nadar em Itacaré?
- A Praia da Concha é abrigada e calma. As praias abertas têm correntes de verdade e não há salva-vidas nas praias ao sul da cidade. Nade onde outras pessoas estão nadando e, se uma corrente puxar você para fora, vá na direção paralela à praia em vez de lutar para voltar reto.
- Itacaré é seguro para mulheres viajando sozinhas?
- Muita gente viaja sozinha para cá, e é uma cidade fácil para isso: pequena, dá para fazer tudo a pé, e cheia de outros viajantes. Os cuidados são os mesmos que você tomaria em qualquer lugar. Varie a rotina, avise alguém quando for passar o dia nas trilhas e planeje a volta para casa em vez de improvisar.
- Preciso me preocupar com furtos em Itacaré?
- O risco realista é oportunista, e não violento: uma bolsa deixada na areia enquanto você nada, um celular numa mesa virada para a rua. Revezar para nadar e deixar os objetos de valor onde você está hospedado elimina a maior parte dele.
- Dá para beber a água da torneira em Itacaré?
- Em geral não é o que as pessoas bebem aqui. Água filtrada é o normal, fácil de encontrar, e é o que a maioria das casas e pousadas usa.